Dramaturgia de um Corpo Tele-Sonoro (2012/2013)

O projeto de pesquisa Dramaturgia de um Corpo Tele-Sonoro foi realizado no Sonic Arts Research Center, Queen’s University of Belfast, Irlanda do Norte, Reino Unido. A investigação fez uma anáse das diversas experiências realizadas no campo da teleperformance há mais 7 anos, tais como Versus (2005) que articulou 3 cidades brasileiras (Salvador e Brasília com dançarinos e João Pessoa com músicos); Por onde cruzam alamedas (2006) com dançarinos e Djs entre dois espaços da cidade de Salvador; Proyecto Paso e Nukonen, Passo a Chile (2006 e 2007) realizado em parceria com Espanha, EUA e Chile; (In)TOQue (2008) com dançarinos em Salvador e Rio de Janeiro e músico em São Paulo; e_Pormundos Afeto (2009 e 2010) em parceria com a Espanha com o grupo catalão Konic Thtr, obra resultado do Grupo de Trabalho de Mídias Digitais e Artes no qual desenvolvemos a ferramenta Arthron para a transmissão de imagem em alta resolução via redes avançadas e o projeto LABORATORIUM MAPA D2 (2011) que articulou diferentes linguagens artísticas em espaços distribuídos (Fortaleza/teatro, Salvador/dança e ambiente virtual, Rio de Janeiro/organismo híbrido –robô e China/música).

O intuito do projeto de pós doutorado foi investigar a dramaturgia no campo da arte da telepresença a partir da conectividade e interatividade estabelecida entre a dançarina – assumida como um corpo-sonoro -, e as estruturas sonoras criadas em ambientes remotos. Nesse sentido, o interesse não era apenas na transmissão da imagem ou na composição sonora distribuída, mas na interatividade entre som e movimento que se tornam aspectos indissociávies de um mesmo sistema. Portanto, trata-se de um trabalho em rede onde a tessitura sonora e o desenvolvimento coreográfico são mutuamente alimentados pelas informações que são transferidas de um ponto remoto ao outro. Vale ressaltar que a improvisação é a estratégia composicional utilizada. No meu caso, a improvisação ocorre pelo estudo que venho desenvolvendo e que denominei “Processo de Propósitos”. Esse processo considera a organização da obra estruturada a partir de taxas de estabilidade (propósito conceitual transposto por metáforas corporais) e taxas de instabilidade que são em maior número e referem-se aos aspectos emergenciais selecionados e gerenciados pelo performer durante o próprio desenvolvimento da obra. Desta forma, considero que dramaturgia é construída pelas tomadas de decisão de dançarinos de acordo com as emergências que irrompem no sistema a partir de uma organização telemática que se estrutura de forma rizomática e interativa. Duas questões se articulam nessa pesquisa:1) re-pensar a relação do corpo com a sonoridade; e 2) a relação entre corpos localizados em espaços geográficos distintos que ocorre através de suas sonoridades prioritariamente, retirando assim a ênfase no visual. Nesse sentido, consideramos três camadas que se entrelaçam e que dependem do estado corporal do dançarino, as quais denominamos: a) corpo orgânico (os sons do organismo de acordo com o estado corporal), b) corpo acústico (o confronto do corpo com seu meio físico) e c) corpo simbólico (a geração de semânticas obtidas na relação do corpo com sua cultura).

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