Poética da Dança Digital: uma emergência de sistemas adaptativos (2008/2011)

Projeto aprovado pelo CNPq – Bolsa Produtividade em Pesquisa 2008/2011

O objeto de investigação desse projeto estava voltado para a dança digital que utiliza o conceito de sistemas adaptativos em suas configurações.

Estes termos são compreendidos da seguinte forma:

  1. Por dança digital compreendemos as obras criadas pela mediação com as novas tecnologias computacionais, podendo ser trabalhos concebidos para realização em diferentes contextos, a saber, em ambiente cênico, em ambientes computacionais (com suas variações de sistemas, hardwares e softwares), videográficos e de telecomunicação (Internet, celular, etc.).

  2. Por sistemas adaptativos (Holland 1995) fazemos referência aos processos (tecnológicos ou não) nos quais os elementos envolvidos são inter-dependentes e co-evolutivos, trocando informação e gerando decisões/resoluções no momento da ocorrência dos acontecimentos. Os sistemas adaptativos são auto-organizativos e, no caso deste projeto, consideraremos tanto os processos de criação de dança a partir da improvisação, como também sistemas computacionais de análise de comportamento e desempenho colaborativo e/ou de interação ocorridos nos contextos descritos acima.

  3. Por configurações compreendemos a forma como a dança e o corpo são organizados levando em consideração a implicação com o contexto no qual ocorre. Sendo o contexto entendido como o “ambiente” ao qual pertence, ou seja, se é um trabalho de palco, de mídia digital e/ou eletrônica. Esta pesquisa percebe como relevante verificar as especificidades do contexto, pois este não significa um mero suporte, mas um ambiente sistêmico implicado com seus elementos. O corpo está implicado com a dança que realiza (o tipo de improvisação proposto), assim como a dança está implicada com o ambiente no qual ocorre (os diferentes contextos e suas especificidades).

O objetivo deste projeto foi aprofundar o conhecimento sobre os sistemas adaptativos para alcançar uma compreensão maior sobre como as emergências são geradas, as quais são consideradas como a poética da obra em minhas pesquisas.

Através deste conceito de emergência podemos compreender que, em virtude das decisões dos elementos co-dependentes do sistema (dançarinos, músicos, sistemas computacionais, etc.), o que surge a cada momento naquele contexto torna-se a própria poética da obra. Sendo assim, a poética aqui não é algo previamente determinado pelo criador, ao contrário, este tem a responsbilidade apenas por uma organização dinâmica que configura uma obra aberta na qual a fruição, tanto do público, como dos artistas e técnicos envolvidos, será sempre inédita.

Quando enfatizamos que por sistemas adaptativos fazemos referência a processos não tecnológicos, estamos considerando os trabalhos de dança que se utilizam da improvisação como padrão de atuação em cena (durante a apresentação da obra). Desde 2005, desenvolvo o que denominei como “processo de propósitos”, pelo qual o dançarino possui certos direcionamentos que propiciam espaços de criação livre durante a obra consideradas como taxas de instabilidade do sistema, mas que são implicadas com a concepção da obra (o propósito) e suas variantes a cada cena (os sub-propósitos), e as quais são assumidas como taxas de estabilidade.

Por este viés, a dança é compreendida como uma ocorrência de um momento singular de um sistema evolutivo, e não um evento fechado e fixo que se repete a cada apresentação. O espetáculo é sempre outro em alguma instância, mantendo apenas a taxa de estabilidade que assegura sua existência com uma obra específica e mantendo em constante transformação suas taxas de instabilidades.

Esta pesquisa é fundamentada por estudos da Cultura Digital; da Ciência Cognitiva (Sistemas Dinâmicos Complexos e Teoria da Evolução) e da Teoria Geral dos Sistemas.

Este projeto é uma continuidade e aprofundamento de pesquisa anteriores: Poética Tecnológica na Dança: processamento de imagem em tempo real em ambientes virtuais (2004/2006), para a qual contei com bolsa de auxílio à pesquisa da FAPESB e de Iniciação Científica (IC) do CNPq; bem como do Projeto ALICE – Apropriação de Linguagem Interativa do CiberEspaço (2006/2007) que recebeu bolsa de apoio técnico e IC da FAPESB e também bolsa IC do CNPq. Vale ressaltar que esses projetos são convergências e aprofundamentos de investigações que realizo desde 1994, seja no universo acadêmico ou no campo cultural.

Objeto de estudo:

Danças digitais (danças com mediação tecnológica) realizadas em sistemas adaptativos criados para contextos de ambiente cênico, computacionais (com suas variações de sistemas e softwares), videográficos e de telecomunicação (Internet, celular, etc.).

Objetivo geral:

Compreender a poética artística que emerge de sistemas auto-organizativos. Compreender o funcionamento e implicações de uma dança com mediação tecnológica criada em sistemas adaptativos (que se auto-organizam) por gerarem emergências as quais são consideradas nesta pesquisa como uma poética que se instaura no ato da apresentação da obra, e não de forma pré-determinada.

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