entremeios (1998)

Entremeios, Trabalho de dança e tecnologia convidado para o evento de abertura do SESC Santo Amaro. Realizado em 2/12/1998

Esse trabalho serve como um primeiro índice a denotar meus interesses na discussão sobre: espaço, tempo e presença através do dança com mediação tecnológica. A obra foi apresentada em um espaço aberto onde o público presenciava a existência de uma esfera plástica transparente e inflada de três metros de diâmetro e atrás dela havia uma enorme tela de projeção. A esfera abrigava dois dançarinos que, quando se movimentam, locomoviam a estutura. No interior da esfera havia uma micro-câmera que captava as imagens dos dançarinos, as quais eram projetadas em direto na enorme tela. A projeção era composta por essas imagens somadas à outras pré-gravadas e contava ainda com a animação de um avatar. As imagens pré-gravadas mostravam os dançarinos em meio aos escombros, a construção do que viria a ser a sede do SESC Santo Amaro. O avatar pertencia as animações criadas no software Life Forms utilizado para construir a coreografia. A proposta de “entremeios” era mostrar a memória daqueles dois processos: 1) de transformação de uma construção civil para um espaço destinado a cultura e as artes e 2) do desenvolvimento de uma coreografia, da simulação pelo avatar à efetivação em um corpo biológico/cultual. A presença do corpo era multiplicada no tempo e no espaço. No tempo, o corpo estava presente na performance (tempo presente de um acontecimento) em conjunção com suas imagens no momento da reforma do local (tempo passado pontual) e da elaboração da coreografia digital (tempo passado processual). Enquanto que no espaço os corpos eram instaurados nos locais de atuação (escombros, dançarinos dentro da esfera, nas imagens), nos contextos da projeção (imagens pré-gravadas, imagens em direto, animações do avatar) e na própria cena que conjugava todos esses elementos.

A obra “entremeios” estabelecia um confronto da noção de presença do dançarino, pois o corpo físico podia ser visto apenas através da membrana plástica da esfera, enquanto sua imagem direta era observada apenas por meio da micro-câmera que captava e projetava os dançarinos no telão. Desta forma, o público podia olhar a esfera e, através dela, os dançarinos, ou poderia tomar como seu ponto de vista o “olho da câmera”, a qual podia “ver” o dançarino sem a interface da esfera.

FICHA TECNICA

…entremeios… performance interativa

Concepção e coreografia: Ivani Santana

Interpretação: Alexandre Paulain e Ivani Santana

Projeto multimídia: Ivani Santana.

Vídeo: Samuel
Apoio técnico: Hilmar Diniz Paiva Filho
Inflável (cenário):Otávio Donasci

Musica: Fernando Iazeta

Apresentação: evento Mundão, inauguração do Sesc Santo Amaro (São Paulo)

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