Gedanken (SESC Ipiranga, SP, 2000) Corpo Aberto (Rumos Dança, Itaú Cultural, SP, 2001)

Sesc Ipiranga, 21 de março de 2000, 19:42

Gedanken, em alemao, significa pensamento, reflexao, e esse título foi escolhido uma vez que a obra é o resultado da minha pesquisa de mestrado realizada no Programa de Comunicação e Semiótica da PUC São Paulo. Após a apresentaçao do espetáculo no SESC Ipiranga em 21 de março de 2000, foi realizada a defesa da dissertaçao Corpo Aberto: Mídia de Carbono, Mídia de Silício, que deu origem ao espetáculo. Gedanken foi criada inicialmente como um dua, contando com a participação da dançarina Nirvana Marinho. Entretanto, foi desenvolvida em formato solo e recebeu o nome de Corpo Aberto.

Corpo Aberto foi selecionado e apresentado no RUMOS Dança Itaú Cultural em 2001.

Dentre os vários locais onde a obra foi reapresentada, posso destacar o Festival Brasil MOVE Berlim, no Theater am Halleschen Ufer, nos dias 7 e 8 de Abril de 2003; evento Dança Brasil, realizado no Centro Cultural do Banco do Brasil, em 26 e 27 de maio de 2002; e SESC Campinas em 2001.

Corpo Aberto foi indicado para o Prêmio Sérgio Motta 2001.

Corpo aberto se desenvolve através da relação entre o corpo orgânico e os meios tecnológicos. A interação de som, imagem e movimento cria perspectivas inesperadas e espaços deslocados. Corpos fragmentados e as suas reconstruções digitais dialogam. Corpo, dança, mundo e tecnologia são tratados como sistemas amplos que se encontram num diálogo permanente e buscam a complexidade. Corpos de carbono e corpos de silício estão interligados simbioticamente; impossível dizer onde começa a tecnologia e onde termina a dança.

O objetivo na relação da dança com as novas tecnologias é propiciar experiências diferenciadas e expansão do aspecto sensorial humano, seja do dançarino, como do público que participa.

Texto de Silvia Soter para o Rumos Dança Itaú Cultural

A contemporaneidade ampliou as possibilidades da experiência corporal. Hoje parece difícil imaginar os aspectos biológicos do corpo dissociados das constantes intervenções da cultura. As biotecnologias inauguram relações inusitadas, invadindo o ambiente aparentemente natural do corpo e impondo-lhe uma nova fisiologia. A arte, por sua vez, tem incorporado os dispositivos tecnológicos como recursos de investigação e de re-significação do corpo por, pelo menos, duas vias complementares: viajando por seus espaços internos e ampliando os limites externos da experiência corporal.

A dança, como espaço possível de encontro da arte e da ciência no corpo, apresenta-se como campo fértil de pesquisa. O corpo do artista-cientista torna-se então palco de experiências em que a tecnologia transforma suas capacidades expressivas e amplia suas ações sobre o espectador e sobre o mundo real e virtual.

No ambiente da dança contemporânea, a interação entre dança e tecnologia constitui uma importante vertente de exploração e o interesse por essa área vem sendo compartilhado por criadores como Merce Cunningham, Meg Stuart ou Jean-Marc Matos. Softwares de simulação coreográfica, sistemas de notação, dispositivos de interatividade dilatam a atuação do corpo que dança no momento da criação ou da performance em cena e são hoje parceiros incontornáveis de um número relevante de criadores.

Ivani Santana é uma dessas artistas-cientistas. Seu espetáculo solo Corpo Aberto é fruto da seriedade com que se debruçou sobre a questão das fronteiras permeáveis entre a dança e a tecnologia.

Nessa obra, a criadora concentra diferentes intervenções da tecnologia no corpo e na cena. O espaço é basculado pela inversão dos planos de deslocamento enquanto o corpo que dança se multiplica em experiências aponderais, fazendo conviver e se misturar a presença real e seus desdobramentos virtuais. Outras zonas de visibilidade do corpo são abertas ao olhar do espectador, impondo novos e antes improváveis pontos de vista.

Em Corpo Aberto, a tecnologia dialoga com a criação e interfere de modo defini¬tivo desde o momento do nascimento da obra à cena, atualizando a cada instante a tríade arte-ciência-tecnologia.

Silvia Soter

FICHA TECNICA

CORPOABERTO espetáculo interativo coreografado no LifeForms

Direção geral, concepção, coreografia e interpretação: Ivani Santana

Cenografia: DB&P Arquitetura

Iluminação: Simone Doanatelli

Voz em off: Natalie Kenj e João Queiroz

Texto: fragmentos de Corpo aberto: Mídia de Silício, Mídia de Carbono de Ivani Santana

Fotografia: Carlos Fadon e Orlando Maneschi

Projeto multimídia e imagens Life Forms: Ivani Santana

Música: Fernando Iazeta e Silvio Ferraz

Apresentações: evento Rumos Dança – 2000/2001, Itaú Cultural/SP; Sesc Campinas/SP, evento Dança Brasil 2001, CCBB/RJ, Brasil MOVE Berlim, Theater Halleschen Ufer, Alemanha.

GEDANKEN – dança imagem tecnologia

espetáculo interativo coreografado no Life Forms

Direção geral, concepção e coreografia: Ivani Santana

Direção de Cena: Thelma Bonavita

Interpretação: Nirvana Marinho e Ivani Santana

Cenografia: DB&P Arquitetura

Iluminação: Simone Donatelli

Voz em off: Natalie Kenj e João Queiroz

Texto: fragmentos da dissertação

Corpo aberto: Mídia de Silício, Mídia de Carbono

Fotografia: Carlos Fadon

Internet: Paulo Santos

Projeto multimídia: Ivani Santana

Técnico de som: Pedro Paulo Santos

Imagens Life Forms: Ivani Santana

Música: Fernando Iazeta e Silvio Ferraz
Apresentações: evento defesa de mestrado de Ivani Santana (Comunicação e Semiótica -PUC/SP), Sesc Ipiranga; Musicais. Perspectivas, música Contemporanea, Itau Cultural e Sesc São Carlos (São Paulo).

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