Res: você Duchamp seu texto e eu (2010)

Intervenção Urbana por mediação tecnológica e performance

Co-criação: Daniela Guimarães, Cristiano Figueiró, Felipe Assis e Mariana Terra

O coletivo formado por 2 dançarinas, 1 iluminadora e 2 músicos estabelecem um dialogo com um espaço urbano e a própria permanência nesse ambiente específico constrói a obra. Tomando como estímulo a realidade dos camelôs, vendedores de rua que necessitam a cada dia re-inaugurar seu espaço, montando sua barraca, colocando os produtos que conseguiu para aquele dia, atuando como demonstrador, vendedor, atendente de caixa, empacotador, etc., assim ocorre com a performance Res: voce duchamp seu texto e eu.

A diferença é que esses “artistas do urbano” terão o “espaço” como produto para disponibilizar aos transeuntes que passam por eles. Assim como Marcel Duchamp que vendeu o “Ar de Paris”, esse coletivo dará o espaço para a cidade, recolocando-o e transformando-o no contexto do espaço-tempo. E assim, aqueles que ali passam tornarem-se tanto espectadores como participantes dessa obra, sejam eles cidadãos locais, residentes ou turistas.

Esse trabalho propõe como produto artístico um “processo-performance” que ocorre enquanto duas potencialidades: a duração temporal e a apropriação espacial que são realizadas no contexto urbano de uma cidade. A primeira potencialidade deve-se ao desenvolvimento das ações no tempo, não apenas por considerar cada momento como a própria obra, pois o processo já é considerado há bastante tempo na história da arte, mas essa temporalidade sempre voltará a partir das possibilidades tecnológicas. Além das imagens que são re-apresentadas a cada instante de forma a enfatizar a temporalidade: esgarçando o tempo, invertendo seu fluxo, acelerando-o etc.; a própria construção da obra, dia-a-dia, ocorrerá como uma performace. A segunda potencialidade, deve-se a condição da obra como intervenção urbana que respeita e assume as realidades, contextos e habitantes de um local. O objetivo não é tratar como um espaço cênico alternativo no qual a obra é depositada. Ao contrário, é o cotidiano com seus acontecimentos em um espaço específico que conta com sujeitos pertencentes aquele contexto que constroem a obra. É nessa fricção entre uma realidade imposta e o trabalho de improvisão artística de profissionais da arte que a obra surge.

Esse projeto foi apresentado na Bienal Internacional de Dança do Ceará de Par em Par, em Fortaleza, e a intervenção urbana ocorreu na Praça dos Leões durante 5 dias, sendo as apresentações finais nos dias 25 e 26 de outubro de 2010.

Written by

No Comments Yet.

Leave a reply